Novo Hamburgo: cidade plural

Dados estatísticos nem sempre refletem a diversidade de um povo. Em Novo Hamburgo, por exemplo, o censo 2010 apontou que 90,4% da população é formada por brancos, 6% por pardos, 3,3% por negros, 0,1% por índios e 0,2% por orientais. Apesar de os números do IBGE indicarem uma certa homogeneidade étnica de seus habitantes, essas informações não fornecem detalhes importantes dessa jovem cidade. O Município é formado por Beckers, Schaefers, Rubenichs, descendentes dos primeiros alemães que colonizaram a região, mas também deve muito de sua prosperidade aos Silvas, Oliveiras, Polessos, entre outros nomes que, com o seu trabalho, moldaram a cidade, que comemora neste mês de abril a sua emancipação.

 

Novo Hamburgo acolheu imigrantes no século XIX e, recentemente, recebeu uma leva expressiva de trabalhadores de outras cidades gaúchas seduzidos pelas oportunidades de emprego que a indústria coureiro-calçadista oferecia nas décadas de 1970 e 1980. Pessoas oriundas de todos os cantos do Estado vieram buscar em terras hamburgueses sustento e um lar para seus familiares e filhos.

 

 

 

 

A expansão demográfica vivida no passado não é mais realidade. As projeções populacionais do IBGE para Novo Hamburgo não foram confirmadas. As estimativas eram de que a população chegaria a 258 mil em 2009. Contudo, o censo 2010 indicou que a cidade tinha 238.940 habitantes, oitavo Município com maior densidade demográfica do Rio Grande do Sul. Mais de 98% dos hamburguenses se concentram na parte urbana da cidade. O restante vive em um recanto privilegiado: Lomba Grande. A área rural tem 156,31 quilômetros quadrados de um total de 223,6 quilômetros quadrados. Nesse refúgio verde, encontra-se uma das mais antigas igrejas luteranas do Brasil, tombada pelo patrimônio histórico municipal.

 

A diversidade religiosa é outra característica da cidade desde os seus primórdios. Em 1824, o primeiro barco com imigrantes trazia da Europa católicos e evangélicos. Esses grupos, quando aqui desembarcaram, encontraram índios, charruas e minuanos, que também tinham seus cultos religiosos e uma cultura rica. Essa, porém, foi perdida por conta do extermínio dos indígenas no passado e da segregação na sociedade atual. Não foram apenas europeus que batalharam seu sustento nas colônias. Os escravos também eram força de trabalho. Novo Hamburgo, assim como o restante de nosso País, é resultado da miscigenação e do empenho de muitos.